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A guerrilha científica no Brasil

por Felipe Melo

Decidi seguir a carreira acadêmica no Brasil. Após 10 anos como bolsista (graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado), aos 32 anos, fui contratado via concurso público pela UFPE. Então descobri, da maneira mais crua, o que como estudante não tinha vivenciado tão na pele. Fazer ciência no Brasil é um ato de guerrilha, de subversão da ordem cuja gratificação é puramente íntima para uns, ideológica para outros, talvez até um compromisso patriótico para outros tantos, mas sempre uma luta de superação e sem direito ao paraíso. Guerrilha é isso, enfrentar de maneira improvisada as adversidades do cotidiano mirando numa grande missão.

Fui estudante de Biologia na UFPE dos anos 90, a famigerada ‘Era FHC’, quando as universidades se encontravam num estado de penúria crônica. Não havia muitas oportunidades para os poucos estudantes interessados na ciência de Darwin. Éramos majoritariamente brancos de classe média e nossas famílias permitiam que cursássemos uma universidade sem a necessidade de uma bolsa. Alguns tinham bolsas de iniciação científica (PIBIC), um programa concebido para fixar alunos nos laboratórios de pesquisa, único no mundo, mas muito