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Os três momentos da pós-graduação que quase ninguém te explica

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    Tudo Sobre Pós-graduação
  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

Boa parte dos estudantes de mestrado e doutorado passa por três momentos ao longo da pós-graduação: uma expectativa inicial elevada, um choque intenso com a realidade e, por fim, um ajuste mais realista em relação ao próprio trabalho e à identidade acadêmica.


Se você está em algum ponto entre a frustração silenciosa e a sensação de não estar à altura, este texto pode ajudar a nomear o que está acontecendo.


1. A expectativa superestimada

Muita gente entra na pós-graduação acreditando que vai fazer algo grande. Que aquele projeto será o trabalho da sua vida. Que vai produzir uma contribuição realmente relevante para a área.

E, em parte, essa expectativa faz sentido.

Quem chega à pós-graduação costuma ter um bom histórico acadêmico, passou por processos seletivos exigentes e carrega a confiança de quem já teve sucesso antes. O início é marcado por entusiasmo, motivação e pela sensação de que tudo finalmente se encaixou.

Nesse primeiro momento, a ideia de “dar certo” parece natural. O futuro acadêmico parece promissor e relativamente linear.


FASES DA PÓS-GRADUAÇÃO
FASES DA PÓS-GRADUAÇÃO

2. A realidade hiperexposta

Com o tempo, a rotina começa a se impor.

O trabalho se torna repetitivo, as tarefas se acumulam e os resultados demoram muito mais do que o imaginado. Enquanto isso, colegas parecem sempre um passo à frente: publicando artigos, apresentando em congressos, dominando conceitos que ainda soam confusos.

Esse é o momento da realidade hiperexposta.

A comparação constante, o contato com discursos acadêmicos mais experientes e a percepção das próprias limitações fazem a confiança inicial começar a ruir. Em silêncio, muita gente chega à mesma conclusão desconfortável: talvez o problema seja eu.

Mas, na maioria das vezes, esse momento não indica fracasso.

Ele marca o choque entre uma expectativa inflada e a realidade concreta do trabalho científico. Um choque que não é sinal de incapacidade, mas de transição.


3. O ajuste realista

Quando esse choque é atravessado, surge um terceiro momento: o ajuste realista.

Não porque a pesquisa fica fácil, mas porque ela se torna mais honesta. O estudante passa a compreender melhor o que sabe, o que ainda não sabe e até onde seu trabalho pode, e não pode, ir.

É nesse ajuste que começa a se formar uma nova identidade acadêmica.Menos performática, mais consistente.Capaz de sustentar argumentos, mas também de fazer boas perguntas.Capaz de defender uma posição sem fingir que não existem dúvidas.

Esse ajuste não elimina as dificuldades, mas reduz o ruído interno que antes paralisava.


Estar no segundo momento não é falhar

Para muita gente, a pós-graduação passa exatamente por esses três momentos. E estar no segundo não significa estar falhando. Significa, muitas vezes, que o processo está funcionando como deveria.


O desconforto, a insegurança e a sensação de inadequação não são exceções do percurso acadêmico. São partes estruturais dele, ainda que raramente ditas em voz alta.

Se você se reconheceu neste texto, talvez o que esteja faltando não seja capacidade, mas referência. Dar nome ao que se vive não resolve tudo, mas ajuda a atravessar com menos culpa e mais clareza.


Em algum momento, voltar a esse entendimento pode ser o que impede você de confundir crescimento com fracasso.

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