Somos uma geração perdida de acadêmicos!

É público e notório, a crise se abateu sobre o meio acadêmico, e nós, pós-graduandos, como o elo mais fraco, estamos sofrendo as piores consequências. Isso porque, ao optarmos pela vida acadêmica (mestrado, doutorado e pós-doutorado), dedicamos de 8 a 10 anos para termos um lugar ao sol.


Este é exatamente o tempo em que fomos do céu (embora nunca tenha sido um paraíso) ao inferno.


Nos últimos 15 anos o número de pessoas envolvidas com ciência no país dobrou de tamanho, houve um aumento expressivo no número de bolsas, aumento no número de universidades e consequente aumento no número de vagas para docentes. Além disso, houve o incentivo a internacionalização de nossos programas de pós-graduação.


Quem viveu este contexto, viveu sob a perspectiva de dias melhores!


Eis que a crise econômica se agravou, a crise política se espalhou e a conjuntura toda mudou. Mergulhamos num cenário nebuloso, de pouca esperança!


As últimas políticas públicas implementadas, como o corte dos gastos públicos destinados à ciência e tecnologia e a drástica diminuição no número de bolsas, são desastrosas, um golpe frontal contra todos nós!


Não é à toa que os laboratórios e os grupos de pesquisas estejam capengando, o cenário é de fato desolador. O fato de terem pesquisadores em formação desistindo de seus sonhos por não terem bolsas disponíveis, mesmo que estes tenham sido aprovados nas primeiras colocações dos processos seletivos é sintoma de que estamos vivendo o pior momento da história acadêmico/científica do país.


Uma amiga me relatou recentemente que em conversa com o seu orientador ele lhe disse algo assim: “nós investimos muito dinheiro e tempo em vocês e agora não temos o que fazer com vocês, não há onde alocar vocês, é uma geração toda que será perdida”.


Esta mesma amiga tem sido aconselhada pelos familiares a desistir da carreira acadêmica e trabalhar com a família! O problema é que não se trata de qualquer pessoa, é uma doutora, com experiência internacional, devido ao sanduíche realizado durante o doutorado, o que lhe rendeu um prêmio de uma das principais editoras científicas do mundo por conta qualidade de sua tese.


São conhecimentos, tempo, dinheiro e sonhos prestes a se perderem. É bizarro!


Em paralelo, mas não desconectado, aparecem os cada vez mais escassos concursos públicos para professores de universidades federais.


Concursos que há alguns anos tinham dez candidatos para uma vaga, hoje tem cinquenta. É o que está acontecendo neste momento nos concursos para professor de físico-química na UFRJ, UFRGS e UFAM. No Instituto Federal Fluminense tem 550 candidatos para duas vagas de químico. No Instituto Federal de São Paulo são 1100 candidatos para uma vaga de pedagogo.


O sistema por si só não dará conta de se reorganizar, ao passo que a classe política é inepta e inapta para se esperar qualquer ação.


Nos somaremos, em breve, aos 13 milhões de desempregados que aterrorizam o país, seremos uma geração perdida de acadêmicos!


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